http://irr.org/mit/mormon-enigma-br.html
Tradução: Stephen Adams
Linda King Newell & Valeen Tippets
Avery, Mormon Enigma: Emma Hale Smith, 2nd ed., (University
of Illinois Press, 1994), 394 pages, paperback, ISBN 0-252-06291-4

Escrito por duas mulheres SUD - uma (Avery), professora de História
e a outra (Newell) escritora independente em Salt Lake City, esta
biografia premiada da primeira esposa do fundador mórmon Joseph Smith, Jr., é
o fruto de nove anos de extensa pesquisa e foi
bem recebido por estudiosos mórmons, inclusive o historiador
da BYU, Marvin Hill.
"Emma se revoltou contra a doutrina da poligamia,
ao qual ela achava pessoalmente odiosa, e em conflito direto com o Livro
de Mórmon".
As
autoras nos relatam em sua introdução que elas escreveram “nem para
apoiar nem para criticar a doutrina" e citam as palavras da Autoridade
Geral Brigham H. Roberts para expressar sua filosofia em tratar os
fatos: “relatar os eventos claramente declarados da forma como
ocorreram, considerando por completo todas as circunstâncias
relacionadas, permitindo a linha de condenação ou justificação cair onde
deve..."
O título do livro expressa o fato que para muitos o legado de Emma nos
chegou pela história como um enigma: embora um modelo da esposa
virtuosa, encorajadora e submissa, Emma se revoltou contra a doutrina da
poligamia, ao qual achava pessoalmente odiosa, e em conflito direto com
o Livro de Mórmon. Ela obstinadamente se opôs a Joseph a toda tentativa
sua em praticar e ensinar a pluralidade de esposas. As autoras
apresentam uma montanha de evidência para refutar o quadro negativo de
Emma como vigorosa e rabugenta - uma caricatura inventada por Brigham
Young, que se ressentiu profundamente da rejeição inflexível de Emma
sobre a poligamia, e temeu que a recusa da viúva do profeta morto da
fazer uma jornada por Utah pudesse prejudicar a seita vulnerável.
É incrível saber que apesar de Emma ser uma inimiga implacável da
poligamia, ela não era uma mulher afetada nem crítica. O livro documenta
que Emma foi uma testemunha pessoal sobre a infidelidade de Joseph com
Fanny Alger, uma menina de 19 anos, durante os anos em que viveram em
Kirtland, Ohio, e mesmo assim ela perdoou o marido por esta e outras
leviandades sexuais. O que ela achou intolerável, porém, foram as
tentativas de Joseph de construir uma elaborada justificação doutrinal
para a violação do leito conjugal monogâmico. Enquanto Emma Smith é a
personagem central neste livro, também contêm fortes evidências contra o
caráter de seu primeiro marido. Em Nauvoo, Joseph, com 38 anos, usou
repetidamente a alegação de revelação divina para coagir meninas
adolescentes para se tornarem suas esposas. Seria muito difícil de
imaginar um conjunto de revelações mais egoístas. Não se pode evitar a
ironia no fato que na mesma noite antes da apreensão que levaria a seu
brutal assassinato, Joseph estava planejando secretamente usar seu
estado de fugitivo como uma ocasião para um período de coabitação
prolongada com algumas de suas jovens esposas plurais. E ao mesmo tempo
escrevia elaboradas expressões de intimidade à ingênua Emma.
As implicações das evidências de nossa estimativa do caráter de Joseph
Smith são preocupantes. Nas palavras de Lavina Fielding Anderson,
editora do Jornal de História Mórmon,
A
biografia de Emma Smith por Newell e Avery Smith foram para mim
profundamente perturbadoras pela documentação sobre Joseph Smith e
as origens da poligamia...Deixe-me ser específica. Eu fiquei chocada
e repugnada por descobrir que Joseph Smith se casou com uma menina
de 14 anos, consumando completamente o matrimônio, e escondeu isto
de Emma. Minha imagem de "profeta" não adequou a este tipo de
comportamento. Eu não pude começar a santos motivos para tal
comportamento ("The Garden God Hath Planted: Explorations Toward a
Maturing Faith," in Sunstone, outubro de 1990, 26-27)
Pelo
menos a respeito da poligamia, a história mórmon subseqüente vindicou o
caráter e crenças de Emma sobre os de Joseph. A igreja finalmente
abandonou a prática em 1890, 11 anos depois da morte de Emma.