Fonte: The Salt Lake
Tribune (http://www.sltrib.com/ci_2890645)
Tradução: Stephen Adams
A
alegação de que o mormonismo é a crença que cresce mais rápido no mundo
tem sido repetida por sociólogos, antropólogos, jornalistas e SUDs
orgulhosos como um fato percebido e inatacável.
O problema é que isto não é verdade.
Hoje, a Igreja SUD têm mais de 12 milhões de membros em seu rol, mais
que o dobro de seu número no quarto de século. Mas desde 1990, outras
crenças - Adventistas do Sétimo-Dia, Assembléias de Deus e pentecostais
- cresceram muito mais rápido e em mais lugares ao redor do globo.
E o mais importante: o número de SUDs que são considerados devotos
ativos é só um terço do total, ou 4 milhões nos bancos todos os
domingos, dizem os investigadores.
Para uma igreja com um grande corpo dedicado de missionários dedicados
buscando constantemente espalhar sua palavra, o número de conversos nos
anos recentes conta uma história inesperada.
De acordo com estatísticas publicadas pela igreja SUD, o número anual de
convertidos SUD abaixou de 321.385 em 1996 para 241.239 em 2004. Nos
anos noventa, a taxa de crescimento da igreja foi de 5% por ano para 3%.
Por comparação, a igreja Adventista do Sétimo Dia informa que foram
adicionados mais de 900.000 adultos convertidos a cada ano desde 2000
(um crescimento médio de cerca de 5%), dando um total de 14.3 milhões de
membros. As Assembléias de Deus alegam ter mais de 50 milhões de membros
no mundo e adicionam 10.000 novos membros diariamente.
A Rússia fornece um dramático exemplo de diferentes taxas de crescimento
religiosas. Lá, depois de mais de 15 anos de proselitismo, os membros
SUD subiram para 17.000. Durante o mesmo período, as Testemunhas de
Jeová aumentaram mais de 140.000, com uns 300.000 indivíduos
assistindo a conferências.
Gráfico de atividades. Quando o Centro Diplomado da Universidade da
Cidade de Nova Iorque realizou uma Pesquisa de Identificação
Religiosa americana em 2001, descobriu que o mesmo número das pessoas
que disseram ter entrado à Igreja de SUD depois a tinham deixado. A pesquisa
informou que o crescimento mundial
da igreja era de 0%. Por comparação, o estudo mostrou que as Testemunhas
de Jeová e os Adventistas do Sétimo-Dia tiveram um aumento de 11%.
"Como as estatísticas de membros são preparadas e informadas
diferentemente por vários grupos religiosos, a Igreja SUD não
publica comparações do total de membros com outras crenças", disse
o
porta-voz SUD, Dale Bills, na sexta-feira.
Sobre a questão de quantos mórmons são participantes ativos, o demógrafo Tim Heaton,
da Universidade Brigham Young,notou na Enciclopédia do
Mormonismo, que a freqüência a reuniões sacramentais semanais nos
anos 90 foi entre 40 e 50% por cento no Canadá, no Pacífico Sul e
nos Estados Unidos. Na Europa e África, a média era de 35%. A freqüência na Ásia e América Latina pairou
em torno dos 25%.
Multiplicando o número de membros em cada área por estas frações, David
G. Stewart Jr. estima que a atividade mundial é de aproximadamente 35% -
o que daria a igreja aproximadamente 4 milhões de membros ativos.
Stewart, um mórmon ativo que serviu em uma missão na Rússia nos anos 90,
tem realizado pesquisa em obras missionárias SUD em 20
países durante 13 anos, examinando censos e dados
publicados.
Tome o Brasil como exemplo. Em seu censo de 2000, 199.645 residentes se identificaram
como SUD, enquanto a igreja listou 743.182 em seu rol.
"Pode haver qualquer número de razões para esta discrepância",
disse Bill e "incluindo preferências pessoais de alguns cidadãos relativo a
revelação de sua afiliação religiosa".
Retendo membros. Stewart diz que os mórmons precisam ter
conhecimento de
tais estatísticas para serem missionários mais eficazes. Para este fim, ele
está publicando sua pesquisa, junto com uma descrição do que ele
chama "princípios testados para melhorar o crescimento e retenção" em
um livro chamado "A Lei da Colheita: princípios práticos do trabalho
missionário eficaz".
"É uma questão de séria preocupação que as áreas com aumento rápido
de membros, como a América Latina e as Filipinas, também são
as áreas com a maior baixa retenção de convertidos", diz Stewart,
um médico da Califórnia. "Muitos outros grupos, inclusive os Adventistas
e as Testemunhas de Jeová, alcançaram excelentes taxas de retenção de
conversos nessas culturas e sociedades. Os SUD
perdem 70 a 80% dos conversos, enquantoos Adventistas retém 70 a 80% dos
seus".
Talvez a melhor medida do crescimento SUD é a taxa de unidades de
novas igreja, como alas (congregações) e estacas (como uma diocese).
Como eles são realizados por voluntários, tais unidades não
podem funcionar sem membros bastante ativos.
Em 1980, The Ensign, a revista da Igreja SUD, predisse que a
membresia cresceria de 4.6 milhões de membros naquele momento para 11.1
milhões em 2000, e de 1.190 estacas para 3.600 em 2000. Enquanto o
número de membros veio muito perto do valor projetado, só houve
2.602 estacas mundiais ao fim de 2002.
"Você pode usar estas tendências para dizer que a porcentagem está
diminuindo, que os números abaixaram ou eles estão
caindo. Eles nos contam o que está acontecendo agora mesmo", diz Heaton
diz. "Mas para nos tentar a falar sobre o futuro é um negócio
arriscado. E se de repente a China ou a Índia nos deixarem e o trabalho [missionário]
aumentar"?
Predizendo o futuro. Em 1984, o sociólogo Rodney Stark, da Universidade de Washington,
ficou surpreso ao descobrir que a taxa de crescimento
da Igreja SUD de 1940 a 1980 foi de 53%. Ele calculou que se
continuasse crescendo a uns modestos 30%, haveria 60 milhões
de mórmons pelo ano 2080; se 50%, iria a 265
milhões.
Ele predisseram que a Igreja SUD "alcançará uma membresia
mundial comparável ao Islã, budismo, cristianismo,
hinduísmo e as outras crenças dominantes".
Os SUD estão para se tornar "a primeira crença principal a aparecer
na terra desde que o Profeta Maomé passou pelo
deserto", Stark escreveu.
Muitas pessoas, especialmente mórmons, acataram as declarações de Stark.
Entretanto, nos recentes anos, alguns estudiosos desafiaram suas
suposições.
Em primeiro lugar, o budismo da verdadeira Terra, o Sokka Gakkai,
Baha'i e o sufismo são todos de tamanho comparável ou maior e surgiram
desde o
Islã no séc. VII, disse Gerald McDermott, professor de estudos
religioso da Faculdade de Roanoke, na Virgínia, que deu um ensaio em um
simpósio na Biblioteca do Congresso sobre mormonismo em abril.
Uma chave para o mormonismo se tornar uma religião mundial, diz McDermott, é como
pode transcender sua cultura de fundação para se tornar
universal. Por exemplo, o catolicismo começou em Jerusalém mas encontrou
lar em muitos outros lugares onde foi facilmente assimilado em culturas
locais.
A mensagem SUD encontrou um público pronto na América Latina e no Pacífico
Sul, onde os missionários mórmons podem falar para as pessoas que
Deus não as esqueceu. O Livro de Mórmon é a história de uma família
hebraica que migrou de Jerusalém para o Novo Mundo e conta uma
visita aos descendentes por Jesus Cristo depois de Sua ressurreição.
Mesmo assim, a igreja não se deu tão bem como outras religiões
cristãs na África e China, já que não há esta certeza para
eles, ele diz.
Religião americana. O mormonismo é "totalmente americano",
diz McDermott, em uma recente entrevista por telefone. "Deus visitou [o fundador
mórmon] Joseph Smith no estado de Nova Iorque. O Éden começou no Missouri e
o milênio terminará lá. O novo êxodo aconteceu na América do Norte".
Nenhuma destas críticas aborrece Stark, que agora ensina na
Universidade de Baylor em Waco, Texas. Ele se diverte com reações.
"A igreja gostou dos resultados e as pessoas que estão contra a igreja
estão desesperadas para entender por que isto não acontece" ele disse
na semana
passada. "Todo mundo leva a coisa muito seriamente. Eu tentei fazer
claro desde o princípio que eu estava tentando para trazer um pouco
de disciplina a muitas conversações loucas".
Era um jogo de "vamos imaginar", diz Stark, quando ele aplicou a
fórmula de juros acumulados e viu grande números de mórmons.
Ele diz que nunca suas projeções eram para ditar o futuro do mormonismo. Outros podem ter modelos mais complexos que desafiam
seus cálculos.
"Eles podem ter razão", ele diz. "Mas se [o crescimento
mórmon] reduziu, pode aumentar de novo".
Stark, cujo trabalho será republicado este outono em um novo volume,
The Rise of a New World Faith: Rodney Stark on Mormonism, não vê
nenhuma razão para se desculpar por suas alegações.
"Já há mais mórmons que judeus" ele diz, "e nós queremos
considerar o Judaísmo uma grande religião mundial".