No ano de 1986, grandes mudanças aconteceram na minha vida.
Eu estava
deixando a fase de infância e indo para a adolescência, neste mesmo ano
conseguimos uma casa nova de aluguel para morar, pois minha mãe havia se
separado do pai de minha irmã no ano anterior, estávamos morando na casa
de meus avós maternos que naquele ano voltaram para Pernambuco.

Era o primeiro ano que estávamos
sozinhos, isto é eu, meu irmão, minha irmã pequena e minha mãe.
Perto do final
de 1986, acho que em outubro e novembro, chegaram dois missionários em
nossa porta. Uma amiga de minha mãe falou sobre a igreja mórmon na qual
ela mesma era membro.
Um era capixaba
e outro não lembro. Eles começaram a ensinar umas palestras. Naquela
época os missionários davam palestras com transparência tipo de um retro
projetor, o que tornava as palestras interessantes.
Minha mãe dizia
que não íamos nos batizar porque éramos católicos apostólicos romanos,
mas no final cedeu. Eu ainda fiz jogo duro e não havia visto todas as
palestras, mas como minha mãe cedeu resolvi ver as outras palestras.
Lembro-me que
falavam de um rapaz que havia traduzidos placas antigas em ouro com o
poder de Deus no que seria hoje o Livro de Mórmon.
O que mais
chamava a atenção nas palestras era uma que falava do mundo após a
morte. Falavam que existiam 3 mundos: o celestial, terrestrial e
telestial. Um era a glória do Sol, o outra da lua e a outro das
estrelas, respectivamente.
Falavam também
de um mundo espiritual e de um pré mortal. Na época falavam que passamos
pelo véu do esquecimento onde morávamos para vir aqui na terra.
Como eu havia
gostado das palestras decidi me batizar. E isto foi feito em 1986 no
final de dezembro.
Antes do batismo
me falaram que quando eu fosse mergulhado nas águas meus pecados iriam
ser perdoados, deixado nas águas. Ao sair das águas senti-me o mais
santo do mundo, novinho em folha, sem pecados, eu ficava imaginando
quando seria o meu primeiro pecado depois do batismo, já que eu
acreditava que ao sair da pia batismal sairia limpo em folha.
Meu irmão
batizou, mas como uma parte do corpo dele ficou pra fora resolveram
voltar à ordenança, mas ele não quis, pois ficou com medo. Pegou fobia
de ser mergulhado. Tentaram umas duas vezes e de novo uma parte saiu
fora. Deixaram para o outro domingo. Mais uma vez erraram e meu irmão
desta vez fez força para não se batizar, criou uma força descomunal e
travou, os missionários resolveram batizá-lo à força, pois achavam que
ele nunca ia batizar por causa do medo.
Aos berros e com
grande força meu irmão resistia. Foi dominado por duas ou três pessoas e
posto na água e o afundaram depois das palavras “fulano de tal, tendo
sido comissionado por Jesus Cristo eu te batizo em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo. Amém.” A força a cerimônia foi feita, para
vergonha nossa, pois meu avô que era um diácono batista estava lá e
tentaram convencer que a igreja mórmon era a única verdadeira.
O tempo se
passou e a amizade entre os amigos mórmons nos dava a confiança de que a
igreja deveria ser a única verdadeira.
Em 1995, fiz uma
missão de tempo integral na região da Amazônia ocidental, cujo a sede
era em Manaus.
Durante a
missão aprendi muita coisa de como os missionários tentavam induzir as
pessoas a se filiar a igreja. Sempre através de emoções e bons
sentimentos.
Valia estória,
fotos da família dos missionários, promessa do Livro de Mórmon de que se
perguntasse a Deus sobre o Livro de Mórmon a resposta seria um ardor no
peito e coisas emocionais deste tipo para criar uma atmosfera de bom
sentimento para depois identificar este sentimento com o Espírito Santo.
Muitos se batizavam porque gostavam da amizade dos missionários. Quando
estes partiam os recém batizados não mais voltavam à igreja.
Embora eu
questionasse tais métodos a doutrina mórmon era muito lógica pra mim. A
igreja não incentivava procurar informações sobre ela em fontes “antimórmons”
e nem na ciência. Eles diziam que a idéias dos homens era limitadas e
imperfeitas e por isto não deveríamos procuras resposta deste tipo.
Acabei a missão
em 1997 e logo me casei e tive dois filhos e em 2002 passamos no templo
de campinas e fomos casados “pra toda eternidade” e não só pra essa vida
como em 1997 quando casei com efeito civil.
Essa era a
doutrina mórmon: que todo homem deveria casar, ter filhos e, no céu, eu
estaria casado com minha esposa e faríamos sexo no céu com nossos
corpos ressurretos e perfeitos e teríamos filhos espirituais e seríamos
deuses e, assim como Deus, teríamos o poder de criar mundos e seríamos
num futuro celestial adorados assim como Deus é.
Tudo isto eu
acreditava, até que em 2003 um rapaz cristão me fez uma pergunta:
“Se vamos ser
deuses quem é que vai nos adorar?” Eu respondi de acordo com o que
relatei acima, ou seja, eu iria criar filhos espirituais no céu que
iriam me adorar, assim como o Pai me fez. Mas de alguma forma o Espírito
Santo me reprovou naquele momento e eu dei a resposta me sentindo
reprovado por Ele.
Fui pra casa
pensativo e tocado no coração e na alma que nada daquilo que eu havia
crido estava correto.
Quando abri a
Bíblia e comecei a ler as escamas espirituais começaram a cair e
rapidamente comecei a entender a graça de Cristo e como funcionava a
salvação.
Ao pé da Bíblia
me arrependi de meus pecados e me senti renovado de verdade, não por um
rito simbólico, mas pelo perdão de Deus.
Saí da igreja
sobre o protesto de minha mãe e meus irmãos que até hoje estão nesta
igreja. Minha esposa continuou um pouco, até que em 2005 resolvi
freqüentar a igreja de meu avô, a batista, na qual minha própria esposa
também era membro afastada, e ela retornou.
Hoje somos
felizes. Fiz faculdade de teologia, o básico, mas estou pra retornar e
fazer o bacharelado, e minha esposa dedica tempo no ministério de
musica, o coral.
Meus filhos
graças a Deus também nos acompanham.
Quando eu era
mórmon me aprofundei nos conhecimentos deles, hoje me aprofundo no
conhecimento de Cristo que é loucura para os homens e incompleta para os
mórmons.
Por varias vezes
tentei mostrar a verdade da mentira de Joseph Smith a minha mãe. Tentei
falar no falso Livro de Abraão, da farsa da tradução e dos achados dos
papiros egípcios, que os arqueólogos sabem que os papiros tratam de
registros fúnebres, mas infelizmente a fé cega atrapalha e ela prefere
dizer que todos estão errados e que fato nenhum pode mudar o que ela
acredita. Esta é uma consequência da lavagem cerebral em dizer que não
podemos encontrar alguma verdade no conhecimento humano. Não que o
conhecimento humano salve, mas podem nos ajudar a enxergar muitas
coisas, pois Deus foi quem deu a inteligência para aprendermos.
Assim de
mentiras em mentiras e de sentimentalismo em sentimentalismo eles
galopam na fragilidade humana.